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Agatha Christie: É Fácil Matar, com Luke Fritzwilliam
Por Daniel Cardoso Tavares
Livro: É Fácil Matar Título Original: Murder is Easy Tradução: Ieda Ribeiro de Souza Carvalho Ano: 1939
Desta vez, Luke Fritzwilliam, policial aposentado, é o responsável por investigar a veracidade de um relato feito por uma mulher idosa em um trem que ia até Londres.
As suspeitas da senhora eram as de que havia um assassino em série à solta na sua pequena cidade, Wychwood-under-Ashe. A principal marca: um olhar de inigualável natureza, lançado em direção à sua próxima vítima. A mulher iria até Londres para denunciar os crimes à Scotland Yard.
A princípio descrente, Luke angustia-se ao ler no jornal, pouco depois, a notícia de que a velha mulher havia sido atropelada em circunstâncias suspeitas. Ele decide, então, ir até a cidade sob um disfarce e, com a ajude da prima de um de seus amigos, tentará descobrir se a versão da velha mulher é verdadeira e, a seguir, quem é o criminoso.
O livro é muito interessante por dois motivos: em primeiro lugar, o ritmo é um pouco diferente daquele dos livros de Hercule Poirot. A principal diferença é que Poirot tem um estilo enigmático, com pensamentos fechados que só surgem no momento final. Com a narrativa sobre a personagem Luke, você entrará nos pensamentos do investigador, verá ele combinando, recombinando e articulando todas as possibilidades, até chegar ao criminoso (ou não). Em segundo lugar, o enredo é muito interessante e até certo ponto pouco previsível. Muitos suspeitos, pouquíssimas provas e um final surpreendente.
Frases de destaque:
- Isso mesmo! Assassinatos! O senhor está surpreso, posso notar. Eu também fiquei, a princípio… Francamente, não podia acreditar. Pensei que estava imaginando coisas.
- E tem certeza de que não está? – perguntou Luke gentilmente.
- Não, não, meu caro rapaz, é aí que o senhor se engana. É muito fácil matar, desde que ninguém suspeite da gente. E o senhor sabe, a pessoa em questão é exatamente a última pessoa de quem se poderia suspeitar!
-Algumas vezes um período de azar é atribuído à presença de uma determinada pessoa – disse Luke.
- Sim, sim. A velha história de Jonas. mas não creio que tenha aparecido nenhum estranho por aqui… isto é, ninguém que merecesse destaque sob qualquer ponto de vista…
Luke sentiu que havia uma espécie de entendimento entre as duas mulheres, do qual ele estava excluído. Isso o aborreceu, mas prometeu descobrir logo do que se tratava.
- Não, nenhum ser humano sabe a verdade completa sobre outro ser humano.
O rosto de Rose tornou-se grave. Teve um arrepio.
- Não – disse lentamente. – Imagino que seja verdade.
- Nem mesmo a pessoa mais querida e próxima de outra – disse Luke.
Submarino.com.brA srta. Waynflete falou com veemência:
- Acho que o senhor não se deu conta de que ele… é um homem muito esperto. E precavido, também. E, lembre-se, ele tem grande experiência, talvez mais do que a gente pensa.